Por Alice Beyer Schuch

Casar, e de branco, não era exatamente um sonho meu…, mas eis que era o do meu marido… E sabe que? Eu casei, e de branco, duas vezes! E faria de novo…

Nosso primeiro casamento foi na Alemanha, em pleno inverno, onde moramos. Como sempre fui aquela pessoa de pôr a mão na massa, decide eu mesma fazer minha roupa de casamento – mesmo super atarefada com meus estudos, no corre-corre do trabalho, gostaria de ter algo que representasse “eu”. Além da personalidade, queria algo que fosse adaptável e que pudesse ser usado muitas e muitas vezes depois. Mas, sinceramente, um vestido branco (e de inverno), não é lá a peça mais combinável do guarda-roupa! Então fui lá, escolhi seda e veludo sustentáveis e passei o final de semana antes do casório inteirinho costurando em uma máquina de costura guerreira que deve ter seus 40 anos, lá na casa da Sogra! Diga-se de passagem, uma mãezona que me ajuda em tudo e que achou até um lençol velho para que eu testasse meu molde antes de cortar a seda!

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Confeccionei blusa e saia – que tinha bolsos laterais onde escondi a carta surpresa que li para o marido no meio da cerimônia! Ambas as peças foram pensadas low-waste! Quase nada foi jogado fora… falando sério, nem mesmo o lençol velho usado na amostra teste foi desperdiçado. Ele virou um colar de crochê (eis aqui ⇓ )!

Quase um ano depois, viajamos ao Brasil para a celebração da festa de casamento (e quase de bodas de papel ao mesmo tempo!!!) … lá pensei eu, que vestir? Era calor, eu passava os dias no corre-corre com a organização da festa, no jardim da casa dos meus pais – desde tendas, a confecção dos trilhos da mesa, definição do cardápio, compra de velinhas e garrafas… O que, de fato, não seria possível sem a super-mega-uber-ajuda da minha mãe, Dona Graça (ali ⇓ na foto, versão chororô, logo depois do discurso do papis)! Encara tudo com graça e raça, e até disse que faria um vestido novo se eu quisesse…, mas por que deveria eu, nos preparativos da festa, fazer um vestido? Não é que todos têm um vestido branco esperando no armário, mas… nesse caso tínhamos um vintage, dos anos 70, que se enquadrava perfeitamente! E foi assim, buscamos no baú das relíquias, Dona Graça deu aquele trato nele, fizemos um cinturão para adornar (com tecidos de ponta que tínhamos), e voilá! Meu novo (velho) vestido de noiva, longo, branco e lindo, estava pronto!

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b-casamento-163E foi assim, tudo feito em casa, reaproveitado, reeditado! A blusa do casamento já passeou muito por aí e, recentemente, desfilou em um evento no Rio de Janeiro (junto com meu terno preto que já tenho há 20 anos) … A saia de veludo passa por transformações para seguir em uso! E o vestido branco? Bem, esse espera nova oportunidade – logo logo vai buscar nova casa!

Giro Moda - Segunda Temporada 2016

#Estratégias Sustentáveis abordadas#

#Estratégia 1# Pensar na durabilidade e usabilidade das nossas roupas; #Estratégia 2# Fazendo você mesmo cria vínculo emocional, o que faz você valorizar e tratar com carinho cada item,os mantendo por mais tempo; #Estratégia 3# Selecione materiais de menor impacto que aqueles convencionais como algodão orgânico e seda não-violenta; #Estratégia 4# pense low-waste; #Estratégia 5# reuse, reaproveite e redesenhe o que já existe; # Estratégia 6# Se não quer mais, doa, troque ou revenda! Tudo isso reduz o impacto negativo inicial de cada item e evita que mais e mais têxteis parem nos lixões…