Por Alice Beyer Schuch

Todos sabemos dos impactos negativos da criação de bovinos. Arbitrariamente, no Brasil, grande parte do desmatamento se passa devido à praticas pecuaristas – que atendem à moda com o fornecimento de couro – e que contribuiu com que, em 10 anos, uma área tão grande quanto Madagáscar fosse “limpa” no meio da Floresta Amazônica (desmatamento que aumentou quase 30% de 2015 a 2016). E mesmo regulamentada, a criação de gado, em si, é algo extremamente danoso ao ambiente – entre outros fatores, pela emissão de gás metano na atmosfera, que é 20 vezes mais impactante que CO2. Além disso, a produção de couro é particularmente exigente para com nosso planeta, uma vez que demanda uma grande quantidade de água e produtos químicos que poluem ar, água e solo.

Felizmente, há alternativas veganas e sustentáveis surgindo como alternativas, como o couro de cogumelo, chá ou, mais recentemente, o couro de “vinho”. Esse último acaba de ganhar o prêmio máximo de €300 mil no Global Change Award, que busca alternativas circulares à moda atual! O grupo italiano desenvolveu um novo tipo de couro vegetal pode ser produzido a partir de resíduos da produção de vinho, como as cascas de uva e os talos. Em vez de queimar as sobras da vinificação, que gera dióxido de carbono, estas sobras se tornam matéria-prima em um processo que não necessita de quaisquer produtos químicos nocivos – contribuindo para um planeta mais limpo e animal-friendly – e ainda libera água ao final do processo.

Como os outros projetos nessa área, a idéia está em sua fase inicial e o próximo passo será o seu desenvolvimento em escala, refinando o processo e criando parcerias dentro da indústria da moda. Mesmo assim, ideias como esta nos mostram a urgência e importância de repensar nosso sistema e padrões de produção e consumo.

Mais sobre os impactos da pecuária nos documentários Cowspiracy e Before the Flood.

 

 

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