Por Alice Beyer Schuch

Foto de Capa: Malha feita com Fio Ioncell-F, processo que recicla algodão e até papel quimicamente, para a produção de fibras têxteis de alta qualidade (por Alice Beyer Schuch)

Solutions Lab – inovações sustentáveis apresentadas durante o Copenhagen Fashion Summit 2017

O Copenhagen Fashion Summit (CFS), que acontece anualmente na Dinamarca, é um dos eventos mais significativos na abordagem da Moda Sustentável à grande indústria. Além de inúmeros debates, o evento também contou com uma exposição de alternativas inovadoras e disruptivas relacionadas à circularidade da Moda, tema principal deste ano – desde tecnologias a modelos de negócios –  no espaço chamado Solutions Lab.

Entre os 10 diferentes expositores, nomes brasileiros também puderam ser encontrados. As empresas Nova Kaeru, que oferece couros exóticos de descarte do setor alimentício e curtidos ecologicamente, e Flavia Amadeu, com seus produtos em borracha da Amazonia, foram selecionadas para fazer parte da exposição de curadoria do Future Fabric Expo by The Sustainable Angle.

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Amostras de couros exóticos da Nova Kaeru. Foto: Alice Beyer Schuch

Além de nossos representantes brasucas, outras novidades em materiais e acabamentos puderam ser vistas – como tecidos feitos de casca de laranja, couro de casca de maçã, ou em rPET com concha de ostra, e ainda inúmeras alterativas certificadas Cradle 2 Cradle. Uma pequena amostra do acervo de mais de 2000 materiais de cerca de 80 empresas diferentes.

“Quando falamos sobre moda, é extremamente importante viabilizar espaços como este, onde inovações e alternativas sustentáveis podem ser apresentadas em forma de experiência, para serem sentidas, tocadas” (Amanda Johnston, curadora na empresa The Sustainable Angle).

Ainda sobre alternativas têxteis… à exposição estava o novo material RefibraTM, fibra Tencel® produzida com até 20% de tecidos de algodão descartados pela indústria têxtil. Peças já podem ser adquiridas em lojas selecionadas Zara e muito em breve, de acordo com Sylvia Happel – diretora de Mershandising da Lenzing para o Norte Europeu, empresas como Patagonia também oferecerão produtos desenvolvidos com o material, sinalizando sua disseminação no mercado. Outra inovação na área de reciclagem química ecológica que pôde ser vista foi apresentada pelo grupo Trash-2-Cash, que visa criar alternativas de altíssima qualidade a partir e descarte têxtil e até papel – através de sua inovação Ioncell-F.

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Solutions Lab durante o CFS 17 por Trash 2 Cash. Foto: Alice Beyer Schuch

Mas soluções não se restringiam apenas a materiais. Alternativas sustentáveis, como a pilotagem 3D oferecida pela Lectra, sugere a redução do desenvolvimento de amostras físicas de até 70% – gerando benefícios financeiros, em tempo, mão de obra e recursos necessários. Inovações do setor manufatureiro também estavam presentes, como Hirdaramani – a primeira fábrica verde global que fica no Sri Lanka (certificada Gold LEED), ou soluções em tratamento de água por oxidação e de baixo custo de instalação apresentadas pela Dragon.

Ainda, modelos de Negócios foram representados por duas áreas: CO:Common Objective – uma plataforma inteligente de network, conectando os diferentes players da moda sustentável com oportunidades; e Dutch Awearness – que oferece produto-como-serviço na área de uniformes coorporativos 100% recicláveis e circulares. E Martine Jarlgaard & Provenance apresentaram em conjunto soluções tecnológicas de big-data através da tecnologia Blockchain para maior transparência no processo e acompanhamento de cada produto (que pode ser acessada escaneando o QR code/token presente em cada peça).

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Martine Jarlgaard & Provenance no Solutions Lab. Fotos: Alice Beyer Schuch

O Copenhagen Fashion Summit deste ano teve como foco a Moda Circular, suas alternativas e a possibilidade de aplicar inovação em escala. Assim, não há dúvidas sobre a relevância do trabalho que vem sendo feito por cada uma das empresas que estavam presentes no Solutions Lab, abordando diferentes etapas do processo, suportando a mudança ruma à uma moda mais coerente, responsável e 100% circular.

“Criatividade precisa ser implementada em escala para ser chamada inovação disruptiva, pois assim gera o merecido e necessário impacto no sistema” (David Roberts, vice presidente da Singularity University).

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